quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sobre o post anterior

Recebi algumas críticas sobre trechos do texto anterior e venho aqui explicar umas coisinhas.
A crítica: O problema estaria no seguinte parágrafo, em que o favelado é confrontado e descobre que não tem esse poder: “Significa que você não tem o poder que achava que tinha. E que agora você vê na televisão que o povo lá debaixo quer te ver é morto. E eles tem força pra isso.” Disseram que, na verdade, ele não perde esse poder, porque o chefe do tráfico tem influência e foge muito antes que surja qualquer problema pra ele. E que esse poder faz parte da estrutura do sistema, e que tem gente da sociedade (políticos) pra sustentar e defender esse poder, e tals.
Enfim, o texto estaria incompleto por desconsiderar essas coisas.
Só que tem um princípio, um entendimento, um sei lá o que da filosofia que diz que a gente tem sempre que se basear em alguma coisa, que devemos tomar alguma coisa como ponto de partida. É a chamada “arque” [Do gr. arché]: princípio, origem. Eu me baseei num rapaz que nasceu na favela e, como não teve meios para ser diferente, virou o chamado bandido e traficante. O rapaz do meu texto não era o chefe do tráfico, ele é aquele que sai correndo quando a polícia chega. A minha arque era: droga e influência do meio. Eu poderia muito bem sair transcendendo a análise, como tentou fazer o filme Tropa de Elite 2. O filme primeiro falou dos problemas locais, depois municipais, depois estaduais e no fim mencionou Brasília. E foi relacionando as decisões dos comandantes com a manutenção desse sistema. Nossa! Que legal! Ele chegou à raiz do problema: as decisões federais.
Mas isso ainda não é uma arque absoluta. Porque alguém vai falar (é! eu to falando!) que o problema está mesmo é na natureza do homem. Todas essas situações existem porque alguém quer ter poder. E pra ter poder sai fazendo besteiras que prejudicam muita gente.
Mas na verdade, na verdade mesmo, o problema foi aqueles abestados terem comido a porra daquela maçã, lascando a vida de todo mundo.
Mas na verdade, na verdade, na verdade realmente, quem mandou fazer uma espécie que vive de se sobrepor aos seus semelhantes?


O que importa é o tanto de resultado que se consegue com uma ou outra análise. Bem, porque você pode sair tirando todos os corruptos (políticos ou não) que de certa forma sustentam o sistema, OU, você pode introduzir numa comunidade dessas uma figura que seja um exemplo de vida que não use drogas ou ande armado. Bota um artista da moda e do bem (nada de Fábio Assunção, galera) pra jogar bola lá, joga cultura neles. Acho que isso é mais fácil do que tentar iniciar um processo de purificação que desconsidera que o sistema é formado por todos nós.
De certa forma, EU SOU EGOÍSTA. E quando eu falo isso é pra mostrar que eu sou melhor que você, porque eu tenho consciência disso e você não. Viu como a vontade de ser superior (ter poder) funciona na vida da gente? É tão natural que é ridículo desconsiderá-la. O que não podemos admitir é que esse poder resulte na fome e na morte de outras pessoas, como um rapaz que já nasce para ser traficante, morrer ou ser preso jovem.
Vamos criar uma ONG? Que tal “Paramédicos do sistema”?

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