sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre José Saramago

Ontem fui dormir ao terminar de ler a página 206 do “Evangelho Segundo Jesus Cristo” e acordo com a triste notícia da morte de Saramago.

Tudo o que eu vier a dizer adiante é opinião pessoal que não tem a menor pretensão de ser aceita pela maioria das pessoas.

José Saramago é o maior escritor que já li. Sua temática social, colocando o homem num estado de natureza, revela a essência da humanidade. Leiam “Ensaio sobre a cegueira” e entendam o que falei.

Mas o mais interessante é que ele era ateu. Em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” ele faz sua própria narrativa do Novo Testamento. Sempre menciona que, no livro, tem autonomia para contar a história que quiser, do jeito que quiser,

“O tempo leva-nos até onde uma memória se inventa, foi assim, não foi assim, tudo é o que dissermos que foi.”

como se já respondesse as críticas que viriam a censurar o livro em Portugal.

“Oh meu Deus, este é o homem que criastes, louvado sejas, já que não é lícito maldizer-te.”

“O teu Deus é o único guarda duma prisão onde o único preso é o teu Deus”

Ceticismo, racionalidade e um pessimismo fascinante norteiam suas narrativas:

"Quem, diante do espetáculo oferecido pelo mundo em que vivemos, veja razões para ser otimista é uma pessoa que ou não percebe aquilo que se passa ou então faz de conta que não entende."

Eu só torço pra não vir alguém dizer que morreu porque era ateu, porque o diabo levou. Essa conversa não cola quando tratamos de um homem que viveu 87 anos.

Como ele mesmo dizia, a morte só significa que antes estava e agora não mais está. Ele já não está, mas eu ainda tenho muitos livros a ler e reler.

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